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Entrevista com Pe. Marcelo Farfán, coordenador mundial das IUS
Pe. Marcelo Farfán, coordenador mundial das Instituições Universitárias Salesianas (IUS)

O coordenador mundial das Instituições Universitárias Salesianas (IUS), Pe. Marcelo Farfán, cumprindo o cronograma para os meses de abril e maio, fez visitas aos centros universitários do Brasil e, durante sua estadia, concedeu à Rede Salesiana Brasil de Comunicação (RSB-Comunicação) uma entrevista para contar um pouco dos objetivos das vistas.

 

O que motivou as visitas às IUS?

 

Desde o ano de 97, nós, os salesianos, começamos a construir uma rede com todas as nossas instituições salesianas de educação Superior. Isso foi se organizando a nível mundial e a nível continental. Então, temos uma coordenação geral a nível mundial e temos coordenações continentais. Cinco coordenações: IUS América, IUS Europa, IUS África, IUS Ásia Sul (Índia, Sri Lanka) e IUS Ásia Leste e Oceania. Assim, à coordenação geral corresponde ajudar e contribuir para assegurar uma identidade comum. É mais uma rede, diríamos, carismática a nível salesiano para assegurar uma identidade comum, um caminho comum, um caminho em conjunto como rede IUS.

 

E isso, fazemos com base nas políticas comuns que são definidas pela Assembleia Geral e aprovadas por um diretor maior. Então, minha tarefa nas visitas é, fundamentalmente, fazer um trabalho de acompanhamento, de reflexão e também de orientação do trabalho das nossas instituições para fazerem um caminho conjunto.

 

Sobretudo, estamos assegurando três grandes linhas de trabalho: qualidade acadêmica, identidade salesiana e sustentabilidade. São como três grandes esforços em todas as nossas instituições. Qualidade acadêmica, para serem verdadeiramente universidades, centro de estudo superior; identidade salesiana, para que toda a nossa proposta esteja atravessada por uma intencionalidade evangelizadora e com estilo salesiano; e sustentabilidade, para assegurarmos a continuidade no futuro. Sustentabilidade econômica, sustentabilidade social e sustentabilidade ambiental também. Então, essas são as grandes linhas de trabalho para as quais estamos fazendo essas visitas.

 

Daqui (Brasília), qual será a próxima visita?

 

Este mês de abril e a primeira semana de maio são dedicados a visitas às instituições do Brasil. Comecei com as instituições de São Paulo, a Unisal, e logo estive em Manaus. Vim aqui à Brasília porque, aqui no Brasil, temos três experiências interessantes. A Universidade Católica de Brasília (UCB), o Centro Universitário de Tocantins e a Unileste de Minas Gerais são três experiências onde nós, os salesianos, não somos proprietários responsáveis pela experiência, porém, somos parte. Essa é uma experiência única que temos na congregação que está no Brasil.

 

Logo, vou visitar as demais instituições salesianas, praticamente, quase todas que estão presentes aqui no Brasil, Vitória, Recife, Porto Alegre, Campo Grande, Araçatuba, Lins.

 

E o próximo mês?

 

Bom, na realidade, as visitas às IUS, como são muitas, em 5 continentes, serão organizadas praticamente em 4 anos porque se fazem as visitas aproveitando-se de alguns encontros que serão nos continentes.

 

No próximo mês, teremos o encontro das IUS da Europa que são 7. Isso vai ser em Bratislava, na Eslováquia e, aproveitando isso, faço uma visita aos centros universitários que temos em Silina e Nova República Tcheca.

 

Normalmente, os encontros das IUS continentais são a cada dois anos, exceto Europa e Índia que se reúnem anualmente.

 

Qual a sua visão sobre as visitas às IUS do Brasil?

 

O caminho que cada IU faz é realmente muito diferente. Depende muito dos contextos legais de cada país, depende dos contextos socioeconômicos e culturais, portanto, os processos são diferenciados. Uma pode encontrar-se com estruturas universitárias muito desarrumadas, como também podemos encontrar experiências de educação superior menores, menos complexas, mais sensíveis. São diferentes realidades que encontramos.

 

As visitas ajudam para, primeiro, caminharmos em unidade, com as mesmas intenções, a mesma finalidade, as mesmas propostas carismáticas, porém, respeitando o ritmo e os processos de cada instituição. Então, fundamentalmente, é isso o que fazemos: proporcionar oportunidades para que a instituição tenha a oportunidade de confrontar-se e de refletir o caminho que está fazendo.

 

Existe alguma dificuldade comum às IUS?

 

Sim. Eu diria que encontro desafios em comum. Por exemplo: nós salesianos precisamos continuar refletindo sobre como entender o carisma salesiano em educação superior. Porque esse desafio segue sendo importante? Porque nós, salesianos, não viemos de uma tradição universitária.

 

A presença salesiana na educação superior é recente. A experiência mais antiga se deu na Índia, no ano de 1938, por intuição dos missionários salesianos no norte da Índia que criaram uma primeira instituição de educação superior muito pequena, então, no mundo universitário, falar de oitenta anos de experiência é algo muito recente. Com experiências universitárias de mil anos, nós temos apenas oitenta.

 

No entanto, como pensar o carisma salesiano no mundo da educação superior segue sendo um desafio. Um desafio de reflexão, um desafio de pensar a universidade a partir do carisma salesiano, esse é um desafio.

 

Podemos ter salesianos com intenção de querer trabalhar a universidade como um colégio de ensino médio, e não é ensino médio. Às vezes temos a tendência de pensar, por exemplo, a pastoral universitária como se a universidade fosse uma paróquia ou um oratório, e não é. Que deve ser uma universidade oratoriana, sim, porém, não é um oratório.

 

Então, esse é um primeiro desafio, a vinculação do carisma salesiano com a educação superior. Um desafio que encontramos em muitos lugares e que pede também aos salesianos mudar a mentalidade e aprender a trabalhar desde a lógica universitária.

 

Outro desafio que encontro é o tema da sustentabilidade econômica. É um tema que está vinculado com o fato de termos muitas instituições e, a grande maioria delas, trabalham com setores médios e setores populares. Não são instituições de educação superior para as elites. Essa é uma diferença muito grande de outras instituições de ensino superior.

 

Ainda, sendo muitas instituições como a continuidade da presença salesiana no ensino médio em setores populares, fazer uma educação superior de qualidade, com identidade e que seja sustentável, é um grande desafio. Como nos mantemos fiéis a uma perspectiva que faz uma opção preferencial aos jovens de setores populares, ao mesmo tempo que essa instituição é sustentável e com qualidade? Esse é um grande desafio.

 

Nos compete, por exemplo, ser muito eficientes na gestão de recursos humanos, muito eficientes em termos acadêmicos e muito eficientes em gestão financeira para podermos dar sustentabilidade. Esse é mais um desafio comum que vamos encontrando no mundo salesiano.

 

Outro desafio é, pela situação do pessoal e pelo crescimento das obras, como assegurar equipes de salesianos religiosos que orientem as instituições de educação superior e conduzam a formação de equipes de animação? Somos instituições recentes, vamos ouvindo muitas pessoas laicas de outras experiências, mas, como formar uma equipe diretiva que vai animar um projeto institucional é mais um desafio.

 

E, finalmente, um último que passa também pela formação, é a formação salesiana do pessoal docente e administrativo em nossas instituições para assegurar um carisma.

 

Os docentes que vêm de outras instituições, têm sua formação profissional e acadêmica, porém, o estilo salesiano, o comprometer-se com um projeto institucional que queremos, isso é necessário que nós forneçamos. Isso são processos formativos.

 

Então esses seriam um pouco dos desafios: seguir refletindo o carisma salesiano de educação superior; continuar com uma opção central dos jovens de setores populares e permanecer sustentável; construir equipes de salesianos exemplares que podem orientar o projeto universitário e a formação de docentes, de administrativos e de pessoas.

 

O senhor, enquanto coordenador mundial das IUS, teria alguma mensagem a acrescentar?

 

Penso que precisamos caminhar mais como gente, buscar mais sinergia. Como somos instituições que estamos aprendendo a ser universidade, às vezes vejo que precisamos assegurar um carisma, porém talvez nos falte dar um passo a mais para começar a ser uma rede em que, efetivamente, há uma colaboração mais em conjunto, maiores possibilidades de fazer atividades e iniciativas em conjunto, em sinergia, no campo de investigação, no campo de intercâmbio estudantil, intercâmbio de docentes, possíveis currículos em comum, aprender de algumas práticas de outras instituições, conhecermos mais; quer dizer, ser cada vez mais uma rede.

 

Fonte: RSB-Comunicação / Fotos: Sites do UniSalesiano, UNISAL, Unileste, UCDB, UCB