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Matéria da Folha de São Paulo tem participação de professor do UniSALESIANO
Imagem da matéria publicada na Folha de São Paulo – 25-04-2019

O físico, Edval Rodrigues de Viveiros, professor de Robótica Assistiva do UniSALESIANO, foi procurado pelo jornal Folha de São Paulo para esclarecimentos e colaboração em uma matéria sobre um dispositivo com implante cerebral que traduz pensamentos em fala.

A matéria da Folha descreve o feito, publicado na quarta-feira, dia 24, na revista científica britânica Nature, onde dois neurocirurgiões e um engenheiro eletricista da Universidade da Califórnia em San Francisco, nos Estados Unidos, criaram esse dispositivo “Interface cérebro-máquina”.

Segundo a matéria, essa tecnologia poderá ajudar pessoas que perderam a habilidade da fala por conta de um derrame ou de doenças como esclerose lateral amiotrófica, a ELA, que atingiu o físico Stephen Hawking.

 

INTERFACES

O jornalista, Filipe Andretta, encontrou Viveiros por meio das referências de seu Doutorado, que tinha como objeto de pesquisa e estudo exatamente a “Interface cérebro-máquina”.

Para a entrevista, o docente recebeu dois artigos científicos dos pesquisadores da Califórnia, referentes aos estudos preliminares da utilização da “Interface cérebro-máquina”, que basicamente é idêntico no sentido teórico, ao equipamento que Viveiros possuí, mas com o objetivo de desenvolver um sistema de decodificação para permitir que uma pessoa que não fale, consiga falar.

Segundo Viveiros, a questão inédita desta pesquisa, é que, diferente de outras similares, nesta eles utilizaram uma técnica bastante sofisticada e complexa.

“Procuram realizar a ‘leitura’ e, consequentemente, a decodificação dos estímulos elétricos provenientes do chamado ‘córtex ventral sensório-motor’, responsável pelo mecanismo de articulação da fala numa pessoa”, disse.

O docente explica que em outras pesquisas, o objetivo era simplesmente mapear o cérebro de maneira mais direta na região responsável pela fala, procurando treinar a repetição ou aprendizagem dos fonemas.

Já neste estudo, eles conseguiram desenvolver um algoritmo e um hardware que identifica neurônios de várias regiões do cérebro, associadas ao fenômeno da fala, que envolve basicamente dois processos em sequência.

“O primeiro processo é a chamada ‘imageria ou imagética’ cerebral, que é quando você simplesmente imagina uma palavra, ou um determinado som. A outra fase, é quando o córtex sensório motor se organiza especificamente para reproduzir as palavras. Isto envolve aproximadamente 100 músculos. Mas, apesar disso, cada indivíduo possui sua ‘idiossincrasia’no processo da fala. Ou seja, pessoas diferentes não articulam igual as mesmas palavras”, esclareceu Viveiros.

Para docente do UniSALESIANO, a matéria além de difundir uma pesquisa muito importante para a ciência, vai dar esperança às pessoas que por algum motivo não conseguem se comunicar com a fala.

“Fico muito feliz em poder contribuir na divulgação de um conteúdo relevante como este e que futuramente auxiliará as pessoas a se comunicarem. Vejo minha participação como reconhecimento e valorização das pesquisas que já realizei nessa área. Propagar e facilitar o entendimento deste conteúdo ainda pouco explorado no Brasil, é realmente algo muito satisfatório”, enfatizou Viveiros.

SEQUELAS

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 15 milhões de pessoas sofrem um derrame a cada ano. Dessas, 5 milhões ficam com alguma sequela permanente, que pode incluir a perda da capacidade de fala.

Ainda de acordo com a organização, estima-se que a esclerose lateral amiotrófica, que resulta em paralisia irreversível, é diagnosticada em 6 a cada 100 mil indivíduos.

Hoje, a tecnologia mais avançada no auxílio da fala em pessoas que perderam essa habilidade é a que era utilizada pelo físico Stephen Hawking. No caso dele, movimentos da bochecha ou dos dedos eram transformados em fala. No novo decodificador neural, basta o pensamento, mas ainda há muito o que avançar: por ora, apenas 70% das palavras pronunciadas são inteligíveis, na média.

 

FOLHA

A matéria foi publicada no jornal da Folha de São Paulo no dia 25 de abril, Caderno Cotidiano e Esporte, página B8. Clique aqui para acessar a matéria na íntegra.