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UCB ensina lógica de programação para ensinos fundamental e médio
Fonte: Anny Cassimira. Foto: Faiara Assis.

Hoje as crianças já nascem imersas em um mundo digital, mas poucas conhecem o universo que está dentro de um sistema de computador. Esses nativos digitais sabem utilizar as ferramentas para se comunicarem e realizarem tarefas, mas o conhecimento sobre a linguagem de programação ainda está distante da realidade de muitos. Para ensinar lógica computacional, matemática e raciocínio lógico nas escolas, os cursos de Tecnologia da Informação da Universidade Católica de Brasília (UCB) lançaram um projeto voltado a estudantes dos ensinos fundamental e médio, o Logicamente.

 

Com vigência de 12 meses, o projeto contará com financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP/DF) para capacitação, a partir do mês de março, de uma equipe composta por cinco bolsistas de Iniciação Científica (IC), ligados às áreas de TI e matemática e professores de física e matemática do Centro Educacional Católica de Brasília (CECB), sob a supervisão dos docentes da UCB. Com oficinas de jogos digitais educativos, a atividade extraclasse será oferecida, gratuitamente, aos estudantes do CECB, do 5° e 6° anos do ensino fundamental e do 2° ano do ensino médio. Os bolsistas vinculados ao Programa Institucional de Iniciação Científica (Pibic) serão tutores das oficinas, que devem ocorrer entre abril e setembro, na sala de multilinguagens, uma espécie de laboratório de informática do Colégio. No encerramento do projeto, nos meses de outubro e novembro de 2017, acontecerá o campeonato de jogos digitais educativos.

 

Uma iniciativa inédita e inovadora entre as escolas particulares do DF, a proposta é usar a lógica para despertar o desenvolvimento de competências lógicas e apresentar conteúdos digitais interativos e aplicativos inovadores a crianças e jovens. Inicialmente, serão disponibilizadas cerca de 120 vagas para estudantes dos CECB, que serão distribuídos em turmas de 30 alunos, com o objetivo de melhorar outras áreas da educação e estimular o aprendizado, inovação e criatividade dos estudantes.

 

Para dar continuidade ao projeto dentro do CECB e torná-lo independente, a ideia é treinar os próprios professores do colégio. A professora dos cursos de TI, Graziela Ferreira Guarda, é coordenadora do projeto, que integra também as professoras da UCB, Ione Ferrarini Goulart e Ana Sheila Perdigão Faleiros. Graziela acredita que é preciso atrair os jovens e as crianças para as carreiras de Ciência e Tecnologia. “Nesta fase da vida, eles estão muito perdidos sobre qual caminho seguir. Então, convidaremos os estudantes do CECB que têm mais interesse na área de robótica e computação para participarem do projeto. A evasão nos cursos de TI é grande e o mercado precisa desses profissionais, portanto, é um ganho para o estudante da Católica que participa da pesquisa na graduação e para o jovem que aprende lógica desde cedo”, falou.

 

Logicamente: uso das tecnologias digitais na educação

 

Jogos educativos digitais são fortes atrativos para crianças e adolescentes, pois envolvem o estudante, o que propicia uma aprendizagem significativa, em especial, nas disciplinas de matemática e física, muitas vezes consideradas de difícil compreensão. Os jogos desenvolvem ainda capacidades, conhecimentos, atitudes e habilidades, como a imaginação, a diversão, a aceitação de regras e o desenvolvimento do raciocínio lógico.

 

Graziela Guarda defende ainda a utilização de recursos didáticos no ensino. “O uso do lúdico motiva os estudantes a buscarem, pesquisarem e, assim, construírem o conhecimento, ao trabalharem de forma cooperativa. Os games são atraentes, pois associam a riqueza dos jogos educativos com o poder de atração dos computadores. Serão feitas atividades com jogos educativos computadorizados, nas quais o computador será usado de forma lúdica para explorar um determinado ramo de conhecimento e um campeonato de jogos encerrará as atividades do projeto no ano letivo”, frisou.

 

O intuito do projeto é popularizar o conhecimento lógico e matemático para crianças e jovens. Para a profa. Graziela Guarda, é importante reforçar a aprendizagem das metodologias e técnicas utilizadas para a programação de computadores, não somente para quem deseja se profissionalizar, mas por todas as pessoas. “Aprender uma linguagem de programação nos dias atuais é tão crucial quanto aprender a ler e a escrever”.

 

Lógica simplificada

 

O uso das tecnologias está presente no desenvolvimento de práticas pedagógicas em todos os estágios do processo educacional, mas se limitam em sala de aula ao uso de recursos multimídia de interação, visualização e compartilhamento de conteúdo. Nesse sentido, a scratch é uma linguagem gráfica de programação que será utilizada com os estudantes do ensino fundamental para o aprendizado de conceitos matemáticos e computacionais. No ensino médio, será usado o aplicativo Calango, um simulador de algoritmos desenvolvido por estudantes do curso de Ciência da Computação da UCB.

 

Para facilitar a compreensão da linguagem de programação, o Logicamente vai utilizar este recurso, pois não exige conhecimento prévio e é ideal para pessoas que estão começando a programar. Com ele, é possível criar histórias animadas, jogos e outros programas interativos. “O scratch é uma linguagem criada para crianças sem que haja a necessidade de escrever códigos-fonte complexos. É um jogo de bloco que vai se encaixando. Quando você conecta as peças, elementos de raciocínio lógico são induzidos”, disse a idealizadora do Logicamente, Graziela Guarda.

 

Aos 20 anos de idade, Regianne Sousa Martins está no 3º semestre do Curso Superior Tecnológico em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e sempre participou da Iniciação Científica (IC) na Católica. “Acreditei que era ótimo para o currículo e para minha experiência. Fiz parte do e-Lixo e agora quero ensinar lógica em sala de aula de uma maneira diferente”.

 

O conhecimento adquirido em programação fez surgir a necessidade de Regianne passar esse conteúdo adiante. “Quanto mais temos contato com a lógica, mais desenvolvemos nosso raciocínio, por isso, as pessoas têm dificuldade de ver as coisas lógicas no dia a dia. Para mostrar uma visão descomplicada, conectamos a parte teórica da matemática com a prática da lógica em TI”, disse.